Configurando instrumentos no Cakewalk 3
por Miguel Ratton
O software Cakewalk (Cakewalk Music) oferece diversos recursos e facilidades que possibilitam ao músico controlar todo seu sistema de forma eficiente e prática. Uma dessas facilidades, a configuração de instrumentos, permite que se definam todos os timbres (patches), bancos e instrumentos de percussão, tudo conforme os equipamentos usados pelo músico. Dessa forma, o músico não precisa mais se preocupar com números de bancos, timbres ou notas, pois passa a trabalhar simplesmente com seus nomes, previamente definidos.
A configuração desses parâmetros, entretanto, é um pouco complicada, o que faz com que alguns usuários até desistam de usufruir dos benefícios que poderiam ter. Vejamos então os procedimentos para se definir tais parâmetros.
Em primeiro lugar, entra-se na função Instruments, no menu Settings. Na janela Assign Instruments, é preciso que se definam quais os instrumentos a serem usados por cada canal de cada porta (interface MIDI) usada pelo Cakewalk. No exemplo da Figura 1, os canais 1-7 da porta 2 utilizam o instrumento Roland JV-880. Para fazer este endereçamento, basta selecionar o canal/porta (quadro Port/Channel) e para tal indicar o instrumento desejado no quadro Uses Instrument. Se o instrumento desejado não estiver na lista, então é preciso defini-lo, o que é feito através da opção Define Instruments.
Figura 1: Endereçamento de portas/canais a instrumentos
Na definição de um instrumento (veja Figura 2), deve-se indicar, em Definition/Bank, quais os bancos de timbres existentes no equipamento. E como cada banco possui uma coleção de timbres ou patches diferentes, é necessário também indicar as listas dos nomes dos timbres existentes em cada banco, em Uses The Patch Names.
- Selecione na lista Instrument o nome do instrumento em questão. Se ele não estiver na lista, então é preciso criá-lo, usando a opção New.
- Na seção Definition, digite o número do banco para o qual você quer definir a lista de timbres. Se o equipamento só possuir um único banco, então selecione [All]. O número do banco pode ser obtido no manual do equipamento, no capítulo que aborda a recepção MIDI, especificamente no que diz respeito a comandos de seleção de bancos (bank select). Tal comando MIDI pode ser efetuado de duas maneiras: usando-se apenas um byte (MSB, também chamado de controller 0), ou usando-se dois bytes (MSB e LSB, também chamado de controller 32). Se o equipamento só reconhecer o MSB (como em muitos equipamentos Roland), então você deve indicar em Bank o número do banco citado no manual, e selecionar a opção Controller 0 em Bank Select Mode. Se, por outro lado, ele reconhecer somente o byte LSB (o que é menos comum), então você deve indicar em Bank o número do banco citado no manual e selecionar a opção Controller 32 em Bank Select Mode. Se o equipamento reconhecer ambos os bytes (MSB e LSB), então você deve selecionar a opção Normal em Bank Select Mode, e o número a ser indicado em Bank será igual a 128 vezes o valor MSB mais o valor LSB (isto é: 128xMSB + LSB). Ufa!
Figura 2: Definição de bancos e respectivos timbres
Em Bank Select Mode, existe ainda a opção Patch 100...127, que deve ser usada com equipamentos cujos bancos são selecionados via MIDI por comandos de program change, e não de bank select (ex: Yamaha TG77).
- Uma vez indicado o número do banco, deve-se escolher a lista de timbres que ele contém. Isso é feito em Uses the Patch Names. Se não existir a lista dos timbres desejados, ela deverá ser criada, por meio do botão Define Names.
Figura 3: Criação de uma lista de timbres
- Na janela Define Names, você deve selecionar Patch Names (para definir os nomes dos timbres ou patches), e optar por New, para criar uma nova lista de timbres. Com um pouco de paciência, selecione cada número de patch em Names, e por meio de Change Name, escreva o nome de cada timbre. Concluída essa lista, clique OK e volte para a janela Define Instruments, onde você então já pode vincular a nova lista de timbres criada por você ao banco de timbres em questão. Isso fará aquele banco de timbres ficar vinculado à esta lista de timbres, de forma que, sempre que você selecionar aquele banco, os nomes de timbres que estarão disponíveis serão os da lista associada à ele. Na Figura 4, por exemplo, pode-se ver que, ao ser selecionado o banco 81 do instrumento Roland JV-880, são mostrados os timbres da memória presets.
Figura 4: Uma vez definidos os bancos e seus respectivos timbres, o usuário tem sempre os nomes corretos, e não precisa mais se preocupar com números.
Na janela Define Instrument, existem ainda outros parâmetros configuráveis, como os nomes das notas (teclas), listados em Uses the Note Names, onde o usuário pode indicar os nomes dos instrumentos de percussão associado às teclas, quando o timbre (patch) é um conjunto de percussão ou bateria. Se a opção Drums for marcada com X, sempre que aquele patch for usado, Cakewalk representará as notas por losangos na janela de Piano-Roll.
Pode-se também renomear os control change (modulation, volume, pan, sustain, etc), o que é útil quando se trabalha com um equipamento que não é um instrumento musical (por ex: uma mesa de mixagem controlada via MIDI), onde esses control change têm funções diferentes daquelas padronizadas em MIDI.
Bem, esse assunto é bastante complicado, mas espero que o artigo possa esclarecer - ou pelo menos dar uma luz - àqueles que já andaram tentando usar os recursos de configuração de instrumentos. Voltaremos à ele assim que pudermos.
Texto publicado no Informus no.10 (abr/95)
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