CobraNet - interligando equipamentos de áudio em rede
por Miguel Ratton*
A indústria do áudio sempre se utilizou dos novos recursos tecnológicos da eletrônica. Foi assim com a válvula eletrônica, o transistor, e a tecnologia digital. A nova "onda" que surge agora é a interligação dos equipamentos de áudio em rede (leia artigo "Conectividade do áudio"), que possibilita mais controlabilidade, mais flexibilidade e, conseqüentemente, maior produtividade e menor custo.
Por que usar redes de áudio?
O fato de termos equipamentos interligados digitalmente através de conexões S/PDIF, AES/EBU e ADAT não significa que os mesmos estejam acoplados na forma de uma rede propriamente dita. Uma rede digital subentende a possibilidade de determinação de rotas dos fluxos de dados sem a necessidade de alterar as conexões físicas. No caso de sistemas de áudio, uma rede deveria possibilitar também a centralização do controle e da monitoração dos equipamentos.
Um exemplo típico é um sistema de sonorização de espetáculos ao vivo (P.A.), onde os sinais dos microfones e instrumentos do palco entram em preamps e/ou interfaces que digitalizam o áudio e colocam esses dados na rede, fazendo-os chegar até a console princial (longe do palco), onde podem ser processados e mixados, e então direcionados - na mesma rede - para os amplificadores e caixas de som, também no palco.
Um primeiro detalhe nesse exemplo é o fato dos dados de áudio digital trafegarem do palco até a console (e de lá para os amps no palco) através de um cabo de rede, e não por meio de multicabo analógico.
Já poderíamos então destacar as vantagens desse sistema:
- Menor custo – Usando cabos de rede no lugar de multicabos tem-se uma redução significativa do custo. Um cabo de rede transferindo 32 canais de áudio custa menos de R$ 1 o metro, enquanto um multicabo com a mesma capacidade custa cerca de 30 vezes mais.
- Melhor qualidade – As conexões convencionais por multicabos analógicos estão sujeitas à interferências eletromagnéticas, ruídos e problemas de aterramento. Uma conexão por meio de cabo digital está imune a esses problemas.
- Maior Flexibilidade – Sendo as conexões do sistema efetivamente "virtuais", isto é, podem ser reconfiguradas por software, pode-se ter então uma flexibilidade muito maior de configuração do sistema, optando por usar ou não determinados módulos, processando um sinal em qualquer ponto da rede, etc.
- Controlabilidade – Com todos os compontentes do sistema interligados em rede, pode-se ter um gerenciamento total e centralizado, possibilitando a monitoração dos equipamentos e a atuação específica e individual.
- Produtividade – A conseqüência dos itens acima certamente é um ganho de produtividade, com menos tempo para executar o trabalho e maior facilidade para se disponibilizar o sistema, com maior previsibilidade. Tudo isso acarreta menor custo e, portanto, maior ganho.
Requisitos para uma rede de áudio
Vejamos então quais os requisitos de uma rede digital para que possa ser usada com equipamentos de áudio.
Em primeiro lugar, é preciso que a rede seja capaz de transferir os dados de áudio de um ponto a outro. Só para se ter uma idéia, um canal de áudio de 24 bits a 44.1 kHz requer uma taxa de transferência de pelo menos 1 Mb/s (megabit por segundo).
A latência é outro parâmetro importante. Ela é o atraso que o fluxo de áudio sofre ao longo do processo de conversão/transferência/conversão na rede. Atrasos abaixo de 8 ms são considerados aceitáveis.
Um outro requisitio numa rede de áudio é a garantia de que os dados cheguem ao destino em tempo hábil, isto é, o "ritmo" da transferência tem que ser apropriado para que os sinais trafeguem de fato em tempo real na rede.
Por fim, é preciso que o sistema seja confiável e seguro, e ofereça estabilidade de operação.
Soluções Yamaha para redes de áudio
A Yamaha possui suporte para algumas das tecnologias de rede já disponíveis. São elas:
- CobraNet (Peak Audio)
- A-Net (Aviom)
- EtherSound (Digigram)
- mLAN (Yamaha)
As três primeiras utilizam como suporte físico os mesmos cabos (CAT5) adotados nas redes Ethernet convencionais, embora adotem protocolos diferentes. Já a tecnologia mLAN foi desenvolvida pela Yamaha em cima do padrão FireWire.
CobraNet
A tecnologia de rede CobraNet foi desenvolvida pela Peak Audio (subsidiária da Cirrus Logic) em cima do padrão Ethernet (IEEE 802.3), aproveitando a camada física (cabos, conectores, switches) e parte do protocolo.
A distância máxima entre dois equipamentos em uma rede CobraNet pode ser de até 100 m, usando-se cabos convencionais CAT5 (com cabos ópticos pode-se trabalhar com distâncias da até 2 km).
Embora as implementações atuais suportem até 16 canais de áudio, a capacidade atual da tecnologia CobraNet é de 64 canais de áudio simultâneos trafegando nos dois sentidos.
A latência máxima total no sistema é de 5,3 ms, e a transferência do áudio ocorre de forma isócrona, em tempo-real. Além dos dados de áudio, também podem ser transferidos pela mesma rede dados de MIDI, controle, e outras informações.
Para aumentar a confiabilidade, a conexão CobraNet pode usar cabos duplicados (Primary e Secondary), permitindo que a operação não seja interrompida caso o cabo principal fique inoperante.
A Yamaha oferece soluções CobraNet incorporadas de fábrica em alguns seus equipamentos (DME8i-C, DME8o-C, DME4io-C) ou por meio de uma interface opcional (MY16-C) que pode ser instalada em qualquer das mesas digitais (01V96, DM1000/DM2000, M7CL, PM1D, PM5D) e outros equipamentos processadores (DME24, DME64).
A tecnologia CobraNet é indicada para sistemas de sonorização com grandes distâncias entre os equipamentos, como em espetáculos ao vivo (P.A. e palco), igrejas, teatros, estádios e ginásios.
Com um sistema baseado em CobraNet, pode-se monitorar, controlar e configurar os equipamentos distantes a partir de um ponto central, assim como transferir o áudio digitalmente entre os equipamentos.
Na ilustração, temos um exemplo de um sistema de sonorização de espetáculos implementado com tecnologia CobraNet. Os microfones do palco são conectados em preamps ligados a interfaces CobraNet, que por usa vez colocam na rede (cabos CAT5) os sinais digitalizados dos microfones; esse cabo está conectado a um switch Ethernet, localizado na house mix, que centraliza todas as conexões da rede. No mesmo switch estão conectados os cabos de rede da console de mixagem e do processador DME64, que também localizados na house mix, e os cabos das interfaces CobraNet ligadas aos amplificadores de potência (localizados no palco).
Este esquema, além de eliminar totalmente os multicabos, possibilita controlar e configurar os preamps e os amps de potência que estão no palco.
(*) resumo da palestra apresentada na 10ª Convenção Nacional da AES Brasil (maio/2006)
Para mais informações, consulte o site da Cirrus Logic.
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