Se o software pudesse salvar as músicas em arquivos Standard MIDI File, a transferência seria fácil, desde que esses arquivos fossem salvos em disquete formatados para PC, usando um aplicativo como o File Exchanger. Entretanto, se o software é muito antigo, realmente ele não poderá salvar o arquivo em formato SMF, que só foi padronizado em 1988. Dessa forma, só resta fazer a transferência gravando no PC a execução (playback) do seqüenciador do Mac, em tempo-real (Fig. 1).

Para que a execução do seqüenciador do Mac possa ser gravada corretamente no seqüenciador do PC, é necessário que eles operem sincronizados, de forma que ambos andem juntos os tempos e compassos da música. Se isso não for feito, a gravação no seqüenciador do PC ficará fora de compasso, o que, embora não impeça uma posterior execução correta, torna impossível qualquer tarefa de edição, pois as notas estarão atravessadas nos tempos e compassos.
Para sincronizar os dois seqüenciadores, há duas opções: sincronizar a gravação pela execução (onde o seqüenciador do PC operaria como escravo do andamento do Mac), ou então o contrário, sincronizando a execução pela gravação (onde o seqüenciador do Mac operaria como escravo do andamento do PC). A primeira opção tem a vantagem de usar apenas um cabo MIDI (como representado na Fig.1), que levaria ao PC não só as notas executadas pelo Mac, mas também os comandos de start, MIDI clocks e stop. Nesse caso o seqüenciador do PC deverá ser ajustado para operar com Sync=MIDI ou Clock=External, e ao ser posto em REC, aguardará o início do playback no Mac (pelos comandos de Start e MIDI clocks) para iniciar a gravação.
Na segunda opção, o seqüenciador do PC seria o mestre, gerando os clocks e comandando o andamento do Mac via MIDI. Este último então executaria sua seqüência conforme o andamento ditado pelo PC, e para isso seria necessário conectar mais um cabo MIDI, ligando o MIDI OUT do PC ao MIDI IN do Mac, para transmitir a este último os MIDI clocks. Nesse caso, o seqüenciador do Mac deverá ser ajustado para operar com Sync=MIDI ou Clock=External, e ao ser posto em PLAY, aguardará o início de recording no PC para então iniciar.
Na gravação sincronizada, tem-se a desvantagem da redução da resolução da gravação para os 24 ppq (tics por semínima) dos MIDI clocks, pois o seqüenciador que recebe o sincronismo passa a usar o MIDI clock como referência, e não seu próprio clock interno. A não ser que o seqüenciador escravo amplie - por processamento de interpolação - essa resolução para algo igual ou superior a 96 ppq, que é uma resolução mais adequada, acaba-se perdendo o swing em determinados grooves e efeitos de execução. A maioria, porém, não faz isso, limitando sua resolução aos 24 ppq. Ao gravar uma seqüência executada por outro seqüenciador, é importante ter em mente que o andamento original e suas alterações no decorrer da música não serão passados do mestre para o escravo, embora durante a gravação possa haver variações de andamento (no caso do seqüenciador executante atuar como mestre do sincronismo). Isso porque essas variações estão registradas na seqüência original, mas não há comandos MIDI que transfiram-nas para o outro seqüenciador, de forma que este último gravará apenas as notas e eventos de execução (controles de volume, aftertouch, etc) da seqüência, e o andamento constante será determinado nele próprio. Da mesma forma, também não são passadas via MIDI as informações de tom, o que obriga ao músico indicar manualmente no seqüenciador de destino qual a tonalidade da música (essa informação é irrelevante para uma correta execução posterior, mas é importante no caso de edição ou notação em pauta). Também são perdidas todas as informações específicas do seqüenciador executante, tais como nome das trilhas e eventuais comentários escritos. Há uma vantagem nisso, no entanto, que é a possibilidade de se executar a música no Mac num andamento mais rápido do que o original, de forma que a transferência é completada mais rápido.
Se seqüenciador do PC não oferecer algum recurso de multitrack recording que permita gravar já separando em trilhas diferentes as informações de cada canal de MIDI, então, após a gravação, deverão ser extraídos os eventos de cada canal, misturados na trilha onde foi feita a gravação.
Texto publicado no Informus no.11 em mai/95
Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1996