Uma das características mais importantes na música é a dinâmica dos sons, isto e, a intensidade com que os sons são produzidos. Praticamente todo os instrumentos musicais acusticos são capazes de produzir sons fortes ou fracos, dependendo de como o instrumentista atua sobre ele. Os primeiros instrumentos musicais eletrônicos - orgãos e sintetizadores analogicos - ofereciam poucos recursos de dinâmica, tendo apenas um controle de volume, em geral sob a forma de pedal. Entretanto, com o aprimoramento da tecnologia, os sintetizadores e demais instrumentos eletrônicos passaram a dispor de meios bastante eficientes de controle da dinâmica de seus sons, inclusive através de controle remoto, via MIDI.
Hoje, o músico alem de poder obter uma expressividade dinâmica na execução da música no instrumento, tem possibilidades de alterar essa execução, se ela for gravada em um seqüenciador MIDI. Com isso, é possível não só corrigir trechos onde a dinâmica não ficou a contento, mas também produzir, posteriormente à gravação, situações que não tenham sido executadas (nem pensadas) pelo músico.
Neste tutorial, veremos como realizar estas alterações sobre a dinâmica da execução, utilizando os recursos de edição de um seqüenciador MIDI. Veja também sobre compressão dinâmica em MIDI.
Fundamentos
Nos instrumentos musicais eletrônicos, há dois parametros básicos que atuam sobre a dinâmica do som: volume e key velocity. O primeiro, é um controle global, que atua em todas as notas de um timbre, enquanto o outro atua individualmente, em cada nota produzida.
No que diz respeito a MIDI, o volume é controlado pelo comando (mensagem) de control change nº7, e pode variar de 0 a 127. Ele atua sobre a intensidade do som produzido por notas que estejam sendo executadas no mesmo canal de MIDI que ele. Assim, qualquer comando de control change nº7 enviado em determinado canal de MIDI irá alterar igualmente o volume de todas as notas daquele canal.
O parametro de key velocity, por sua vez, é individual, relativo a cada nota. Dessa forma, quando uma nota é produzida por um instrumento MIDI, é enviado um comando (note on) que contem a informação da altura da nota (designada por um nº) e a intensidade com que ela foi tocada (designada pelo valor do key velocity). Esse valor pode variar de 1 a 127, representando assim a força que o músico bate a tecla.
É preciso lembrar que, nos sintetizadores, o comando de volume só atua sobre a amplitude do som, mas a intensidade com que a nota é tocada (que representa a força do dedo sobre a tecla) influi não só na amplitude do som (forte ou fraco), mas também em sua coloração (aveludado ou brilhante).
A partir deste conhecimento, podemos então imaginar como é possível efetuar ajustes ou alterações às notas MIDI gravadas em um seqüenciador, de forma a corrigir ou criar nuances dinâmicas em uma música seqüenciada.
Crescendos e diminuendos
Existem duas formas de se criar no seqüenciador os aumentos e diminuições de volume no decorrer da música, e cada uma delas deve ser aplicada da forma mais adequada à situação.
Nos instrumentos musicais eletrônicos, timbres cuja execução ocorre de forma sustentada, são iniciados tocando-se as respectivas teclas e, enquanto se quiser manter seus sons, é necessario manter as teclas abaixadas (ou o pedal de sustain pressionado). Dessa forma, uma vez iniciadas as notas, não é mais possível alterar seus key velocity, e por isso qualquer variação de volume que se deseje deverá ser feita através do controle de volume, e não pelo key velocity. Portanto, para se criar o crescendo em um timbre de cordas (strings), é necessario variar o valor do volume do som. No seqüenciador, isso pode ser feito gerando-se (no mesmo canal de MIDI usado pelas notas) valores crescentes de control change nº7. Isso fará com que o som das cordas (todas as notas) aumente gradualmente. A figura abaixo ilustra esta situação: os valores do controle de volume (control change 7) variam no decorrer do compasso, criando os crescendos.

Já no caso de timbres não sustentados, como piano e violao, pode-se obter o crescendo da mesma maneira que se faz nos similares acusticos: a cada nota, aumenta-se a intensidade (força) de sua execução, gerando-se valores crescentes de key velocity. Isso fará com que o som de cada nota aumente, gradualmente. Nesse caso, entretanto, o controle do volume é individual, para cada nota. É importante ressaltar que, usando o key velocity como parametro para variar o volume do timbre, na maioria deles, tem-se também uma variação de coloração, o que é importante também. A figura abaixo ilustra esta situação: observe os valores de key velocity das notas, na parte inforior da janela.

Fade-out
Em música pop, é muito comum terminar uma música fazendo com que seu volume vá diminuindo até sumir. Esse efeito, chamado de fade-out, é obtido em estudio de gravação de audio através da redução gradual dos volumes de todos os sons (instrumentos, vocais) gravados na fita.
Utilizando-se seqüenciadores, também é possível criar este efeito, bastando para isso gerar comandos de control change nº7, com valores decrescentes, em todos os canais de MIDI usados na seqüencia. Nesse caso, como não se deseja atuar sobre a coloração dos sons, todos os timbres (sustentados ou não) devem sofrer redução de volume, e não redução de key velocity.
Texto apresentado no Informus Multimidia de set/95
Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1996