O objetivo do texto a seguir é, em primeiro lugar, recapitular quantas coisas aconteceram em poucos anos de uso efetivo de eletrônica na música e, em seguida, mostrar as incontestáveis vantagens que nós, usuários dessas máquinas maravilhosas, passamos a ter com tudo isso, e o que podemos esperar para o futuro.
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Pagando menos por mais Não poderíamos deixar de falar do aspecto econômico associado à evolução dos instrumentos musicais eletrônicos. É bastante interessante mostrarmos alguns fatos, sob o ponto-de-vista de custo/benefício. Em 1980, o Minimoog custava US$ 1995. Era um instrumento monofônico, não memorizava timbres (tinham que ser programados por botões no painel), seu teclado não tinha sensibilidade, e ainda sofria dos problemas de estabilidade da afinação. Os sons que produzia - embora sensacionais - eram puramente sintéticos, isto é, era impossível tocar um som parecido com piano acústico, com sax, etc. Em 1996, é possível adquirir por pouco mais de US$ 1000 um sintetizador multitimbral (16 partes), polifônico (64 vozes), com um teclado mais longo e com sensibilidade a key velocity e aftertouch, com mais de 640 timbres na memória (vários sintéticos, vários de instrumentos acústicos), possibilidade de expansão, processador de efeitos embutido, MIDI, etc, etc. Isso só foi possível graças à redução de custos da tecnologia digital, que passou a ser a matéria-prima fundamental dos instrumentos modernos. Só a título de comparação: quanto custava um piano acústico no começo do século? É bem possível que esse mesmo tipo de piano custe mais caro hoje, apesar de já se terem passado quase cem anos. Isso porque a matéria-prima (madeira) ficou mais escassa e sua exploração ecologicamente proibitiva (teclas de marfim, nem pensar). |