Por dentro do cabo MIDI

por Miguel Ratton


Neste artigo, vamos abordar uma coisa que aparentemente pode parecer sem importância - pelo seu baixo preço e simplicidade - mas que, não funcionando corretamente, pode comprometer um sistema inteiro de dezenas de dólares.
O cabo MIDI é o elo de ligação entre dois equipamentos MIDI. É através dele que são transferidas as informações digitais que vão de um equipamento para outro (lembre-se de que o cabo MIDI transfere informações digitais, mas nenhum som - o som é produzido pelo instrumento que recebe os comandos MIDI).

À época da concepção do sistema de comunicação MIDI, no início dos anos 80, a idéia era usar componentes de baixo custo, que não encarecessem significativamente o projeto e fabricação dos equipamentos, e assim viabilizar a implementação do sistema por um maior número possível de fabricantes. Nesse sentido, optou-se pela utilização de cabo e conectores de fácil disponibilidade no mercado de eletrônica (imaginem o problema que seria se o MIDI utilizasse, por exemplo, um cabo de 128 vias, e conectores de 128 pinos!).

O cabo MIDI é, na verdade, um cabo de áudio (embora não passe som por ele!), do tipo usado por microfones balanceados. É um cabo blindado, composto de dois condutores e uma malha de blindagem ("shield"). Nas lojas de componentes eletrônicos esse cabo é conhecido como "cabo de microfone", "cabo balanceado" ou "cabo stereo" (possivelmente deve haver ainda outros nomes). Observe bem quanto à qualidade do cabo, no que se refere a acabamento de fabricação, tipo de malha de blindagem, e maleabilidade dos condutores. Não utilize um cabo demasiadamente fino (que sempre é mais barato), pois poderá não ter resistência mecânica adequada, com risco de romper os condutores. No Brasil, temos algumas boas opções: Santo Angelo MIDI Cable, Santo Angelo MIC Cable 2x22, Tiaflex 2x22, e Kmp 2x22.


Informação técnica

A transmissão de dados MIDI é serial, e é feita à velocidade de 31.250 bits por segundo. Embora isso fique um pouco acima do limite superior da banda de áudio (20 kHz), a maioria dos cabos de áudio suporta muito bem esse sinal. A especificação técnica do MIDI (MIDI Specification 1.0) recomenda que o cabo MIDI não tenha um comprimento superior a 15 metros.


Vamos agora falar um pouco sobre o plug MIDI. Na verdade, o plug usado para a conexão MIDI é o famoso "plug Philips", um componente muito antigo do setor de áudio. Esse plug, tecnicamente denominado como plug DIN de 5 pinos em 180°, é também de fácil aquisição nas lojas especializadas. Atente para ofato de que os cinco pinos estão posicionados em semi-círculo (180°). Embora o plug tenha cinco pinos, o MIDI só utiliza efetivamente os três do meio. Nas lojas de eletrônica, você encontará com facilidade os plugs da Emetal, que são uma opção de boa qualidade.

A malha de blindagem do cabo deve ser soldada ao pino central do plug, e os dois condutores devem ser soldados nos dois pinos adjacentes (os dois pinos das extremidades não devem ser usados). Ao soldar os condutores, preste atenção na posição: se num dos plugs o condutor vermelho, por exemplo, for soldado no pino à esquerda do pino central, então no outro plug o condutor vermelho deve ser soldado no pino de mesma posição.

Se você tem habilidade manual e um pouco de experiência com soldagem de eletrônica, a montagem do cabo MIDI é muito fácil. Você precisará de um ferro de soldar comum (com ponta fina), um rolo de fio de solda para eletrônica (chumbo-estanho). Uma pinça com trava ou um alicate de bico podem ser de grande utilidade para segurar o plug ou o condutor.

Se você pretende montar muitos cabos, uma boa idéia é construir uma "base de trabalho", usando um pedaço de madeira do tamanho de um taco de assoalho, e nele fixar uma tomada MIDI fêmea; essa tomada fêmea poderá então ser usada como um excelente suporte para o plug, facilitando o trabalho de soldagem em seus terminais. E se você não tem experiência com soldagem, vale a pena seguir os conselhos abaixo:


Finalmente, algumas dicas úteis:

E como já dizia o General MIDI:


Artigo publicado na revista Backstage em 1997

Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1997


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