Windows e MIDI: os "drivers"
por Miguel Ratton
No Brasil, a grande maioria dos usuários de computador utiliza máquinas PC/Windows. Não vamos abordar aqui as diferenças, vantagens e desvantagens dessa "plataforma" de computadores, em comparação com outras, como Macintosh, por exemplo. Mas a realidade é que o PC/Windows está tomando conta do mercado de computadores pessoais e, felizmente, a indústria de software e hardware musical tem lançado muitos produtos para estes computadores, o que para nós, usuários, é muito bom.
No entanto, muitas pessoas têm dificuldades para instalar e configurar seu computador para que ele possa trabalhar adequadamente com música, e por isso neste mês começaremos a explicar alguns detalhes sobre como o Windows gerencia os dispositivos musicais. A importância desse tipo de conhecimento é fundamental, visto que muitas pessoas perdem tempo e ficam com o computador inoperante - às vezes até acham que está com defeito - quando o problema é simplesmente de configuração.
O caminho comum
O Windows é um sistema operacional(*), um conjunto de software que controla os recursos do computador (disco, vídeo, teclado, memória, etc), disponibilizando-os adequadamente aos softwares aplicativos que realizam efetivamente as tarefas que desejamos (editar textos, desenhar gráficos, fazer música, etc). Ele utiliza uma abordagem bastante inteligente para que os softwares possam acessar os dispositivos (hardware) instalados no computador, que são os chamados drivers (poderíamos traduzir como "acionadores").
Vejamos um exemplo simples: você acopla uma nova impressora a seu computador, conectando-a à porta paralela. Mas antes de usá-la, precisará instalar e configurar o respectivo driver, sem o qual não será possível imprimir. Cada impressora possui um conjunto próprio de códigos, que definem não só as letras e caracteres a serem impressos, mas também - e principalmente - os comandos para sua operação (carregar página, avançar papel, seleção de cores, etc). No passado, para que um software pudesse imprimir com vários modelos de impressoras, ele tinha que "conhecer" cada uma delas, e saber enviar os comandos específicos de cada uma. Dá para imaginar que isso era um grande problema para os desenvolvedores de software. Com o Windows, no entanto, esse trabalho fica por conta do driver, que se encarrega de transferir adequadamente para a impressora tudo o que o software manda imprimir. Ou seja, o software manda para o Windows as informações dentro de um formato conhecido (padrão do Windows), e o driver da impressora que está instalado no Windows é que gerencia a transferência dessas informações "traduzindo-as" conforme os códigos que a impressora entende. Dessa forma, basta que o software seja compatível com o Windows, que ele passa a ser compatível com qualquer impressora que tenha seu driver instalado no Windows.
Desde sua versão 3.1, com a inclusão das funções de "Multimedia Extensions", o Windows passou a dispor de uma série de recursos adicionais voltados para multimídia (áudio, MIDI, vídeo, etc). Assim, os dispositivos de áudio (placas de som, CD), interfaces MIDI e vídeo digital passaram a ser utilizados e explorados com mais facilidade pelos softwares.
O driver da interface MIDI é o "caminho comum" que os softwares musicais devem usar, para chegar à interface e, dessa forma, é preciso que ele esteja instalado e configurado de acordo com a interface (o Windows também pode fazer um "mapeamento", que veremos em outra oportunidade).

Existem diversos modelos de interfaces MIDI disponíveis no mercado, quer sejam internas (instaladas num dos slots dentro do computador) ou externas (conectadas à porta paralela ou à porta serial). Muitas interfaces têm pinos jumpers ou microchaves de configuração, que determinam suas características dentro do computador. Siga atentamente as instruções do fabricante quanto à configuração dessas chaves e, a princípio, adote as configurações recomendadas ("default"), pois são as que em geral funcionam bem. Anote sempre seus procedimentos, para o caso de precisar se lembrar posteriormente, quando for configurar o driver.
Toda interface MIDI deve vir acompanhada de seu respectivo driver, em disquete, que deve ser instalado corretamente. No Windows95, essa instalação é feita no "Painel de Controle", na opção "Adicionar novo Hardware". Embora o Windows95 possa "procurar" o novo hardware que foi instalado no computador e fazer a instalação e configuração do driver automaticamente, não recomendo isso, visto que invariavelmente ele detecta o hardware errado. Por exemplo: as interfaces da Music Quest, que possuem compatibilidade com a MPU-401, são instaladas automaticamente pelo Windows95 como uma MPU-401; essas interfaces devem ser instaladas com seus próprios drivers (os detalhes adicionais de configuração do driver no Windows serão abordados na próximo artigo).
Compartilhamento de drivers
Um detalhe importante a respeito de drivers de interfaces MIDI é quanto ao uso simultâneo por dois ou mais softwares. Alguns drivers não permitem que mais de um software acessem a interface, e quando um segundo software é aberto, em geral aparece uma mensagem de erro, que muitas vezes confunde o usuário, levando-o a acreditar que há algum defeito na interface (quando a solução, na verdade, é simplesmente fechar o primeiro software antes de abrir o outro). Os drivers que permitem acesso de vários softwares simultaneamente são chamados de "multi-client", e muitas interfaces possuem drivers desse tipo.
No próximo artigo, veremos as configurações que devem ser feitas nos drivers de interfaces MIDI.
(*) Na verdade, o Windows 3.1 não é um sistema operacional completo, pois depende da existência do MS-DOS no computador (este sim, é um verdadeiro sistema operacional). O Windows95, por sua vez, incorporou o DOS dentro de si, e podemos considerá-lo um " sistema operacional".
Artigo publicado na revista Backstage em 1997
Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1997
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