Seqüenciadores: conceitos básicos
por Miguel Ratton
O seqüenciador MIDI tem um papel fundamental na música atual, pois traz imensos recursos para a criação e experimentação de idéias, mas também pelo fato de agilizar o processo criativo, aumentando a eficiência do trabalho, condição extremamente importante no mercado cada vez mais competitivo da música profissional.
O seqüenciador pode ser um software ou um eqüipamento (normalmente portátil), sendo que os softwares são mais poderosos no que diz respeito a recursos e facilidades de trabalho. Os eqüipamentos seqüenciadores, por outro lado, tem a vantagem da portabilidade, o que faz deles recursos complementares para o músico: o trabalho é criado no computador (software seqüenciador) e executado em shows no eqüipamento seqüenciador. Se você possui um computador notebook, então já tem meio caminho para um seqüenciador portátil: basta instalar nele um software e uma interface MIDI externa (falaremos sobre as interfaces MIDI em outra oportunidade).
Vejamos, então, algumas características dos softwares seqüenciadores:
Trilhas (pistas)
O material musical é armazenado sob a forma de uma seqüência de "eventos" MIDI (daí o nome seqüenciador). Esses eventos, na maioria dos casos, são comandos de execução de notas (note on e note off), mas podem ser também comandos de controle (ajuste de volume, pan, pitchbend, pedais, etc). Os eventos são "armazenados" pelo seqüenciador, à medida que o músico os executa em seu teclado (ou outro instrumento controlador, como uma guitarra-MIDI). No final da execução, a seqüência conterá todos os eventos registrados cronologicamente, um a um.
Para facilitar o processo de armazenamento, o seqüenciador organiza os eventos em trilhas (pistas), de forma que o músico escolhe uma trilha para gravar a execução, e todos os comandos enviados pelo instrumento ficarão registrados naquela trilha. Assim, cada parte do arranjo pode ser registrada numa trilha separada: ao criar um arranjo de três instrumentos (timbres), como por exemplo piano, baixo e bateria, o músico executa cada parte separadamente, registrando-as em trilhas individuais (ao gravar uma nova trilha, o músico pode ouvir simultaneamente a execução das trilhas já gravadas, desde que possua um instrumento MIDI multitimbral (que pode executar vários timbres simultâneos, cada um num canal de MIDI diferente).
A idéia da separação da seqüência em trilhas oferece grandes facilidades:
- desativar (mute) uma ou mais trilhas, de forma que as partes do arranjo registradas nelas não sejam executadas; isso é ótimo para se ouvir isoladamente certas partes do arranjo;
- escolher outro timbre para executar a mesma trilha; permite experimentar a mesma execução com outras sonoridades;
- efetuar algum tipo de edição somente numa trilha, como efetuar a transposição de um ou mais instrumentos do arranjo, sem alterar os demais;
- efetuar uma mixagem inicial entre as trilhas, indicando valores de controles de volume e pan;

Figura 1: Janela de visualização de trilhas (Track View) do software Cakewalk, com alguns dos diversos ajustes que podem ser feitos individualmente, para cada trilha.
Portas MIDI
As portas MIDI são os caminhos que o seqüenciador dispõe para receber/transmitir os eventos MIDI de/para os instrumentos e eqüipamentos MIDI. Elas estão diretamente relacionadas com as tomadas de MIDI In e MIDI Out das interfaces MIDI instaladas no computador (exceto no caso dos sintetizadores internos das placas de som, e dos sintetizadores virtuais, implementados por software, em que as portas MIDI não "existem" fisicamente como tomadas MIDI In/Out).
Vejamos um exemplo bastante prático: se você possui uma placa de som Sound Blaster ou similar, e estando ela devidamente instalada e configurada em seu computador e no Windows, as portas MIDI que aparecerão disponíveis para seu software seqüenciador são as seguintes:
- porta de entrada: MIDI In da interface MIDI da placa de som (geralmente do tipo MPU-401);
- porta de saída: MIDI Out da interface MIDI da placa de som (geralmente do tipo MPU-401);
- porta de saída: sintetizador interno da placa de som (geralmente do tipo FM);
- porta de saída: MIDI Mapper do Windows (recurso de mapeamento do Painel de Controle);

Figura 2 - Relação de dispositivos MIDI disponíveis para o seqüenciador: portas de entrada (input port) e portas de saída (output port).
Em algumas placas de som (ex: Roland RAP-10), o sintetizador interno e a saída MIDI Out são a "mesma porta", de forma que qualquer nota MIDI transmitida irá comandar tanto o sintetizador interno quanto o instrumento MIDI conectado à tomada MIDI Out.
A grande maioria dos softwares seqüenciadores pode manipular múltiplas portas MIDI, de forma que se você tiver uma placa de som e mais uma interface MIDI de múltiplas saídas, todas as portas MIDI aparecerão disponíveis no software. Os seqüenciadores também podem reconhecer múltiplas portas de entrada MIDI simultâneas.

Figura 3 - Exemplo de seqüenciador operando com várias portas MIDI. Observe que na coluna "Port" aparecem quatro portas diferentes: as duas portas MIDI Out da interface MIDI MQX-32, a saída MIDI Out (tipo MPU-401) da placa de som, e o sintetizador FM interno da placa de som.
Artigo publicado na revista Backstage em 1997
Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1997
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