Sequenciadores: canais de MIDI

por Miguel Ratton



Vamos usar um exemplo bem simples para explicar o processo de canalização: um sequenciador (computador + software sequenciador + interface MIDI) conectado por um cabo MIDI a um teclado multitimbral (que pode executar timbres diferentes, simultaneamente).

Imagine que o sequenciador esteja enviando as informações para a execução das notas de um arranjo musical, para piano, baixo e bateria:

Fig.1


Figura 1: Um arranjo de piano (1), baixo (2) e bateria (3) criados no sequenciador MIDI. As notas de cada pauta têm que ser executadas por partes timbrais diferentes do sintetizador, cada uma com o timbre respectivo (piano, baixo e bateria).


Como o teclado pode identificar as notas de cada instrumento, e executá-las corretamente? A resposta está nos canais de MIDI (“MIDI channels”).

Os idealizadores do sistema de comunicação MIDI conceberam-no com a capacidade de “segregar” informações, de forma que, num mesmo cabo, pode-se identificar quais mensagens destinam-se a quais equipamentos, identificando-as por meio de canais diferentes. A coisa funciona, basicamente, como o exemplo a seguir:

Quando o sequenciador manda uma nota via MIDI para ser executada por um instrumento, codifica esse comando numa mensagem digital, que leva quatro informações básicas:

- tipo de comando (neste caso: execução de nota - “note on”)
- número do canal de MIDI (1 a 16) em que está sendo transmitido o comando
- número da nota a ser executada (de 0 a 127; o dó central é a nota 60)
- intensidade (“key velocity”) com que a nota deve ser executada (de 0 a 127)

Assim, o número do canal funciona como se fosse uma identificação do destinatário da mensagem; e somente os equipamentos que estejam configurados para receber mensagens naquele canal de MIDI (“MIDI Receive Channel”) é que irão efetuar o respectivo comando.


Fig.2


Figura 2: Através de um único cabo MIDI, podem passar, simultaneamente, mensagens de até 16 canais diferentes.


Na grande maioria dos sequenciadores, é possível indicar qual o canal de MIDI que será usado para se transmitir os eventos de cada trilha. Essa indicação é feita numa das colunas de parâmetros existentes na janela principal das trilhas (“Tracks”), geralmente designada como “Channel” (ou abreviada como “Chn”). O número do canal de MIDI não tem qualquer ligação com o número da trilha, podendo, inclusive, haver duas ou mais trilhas operando no mesmo canal de MIDI.

Indicando um número de canal nessa coluna, todos os eventos da mesma serão transmitidos - obrigatoriamente - através daquele canal de MIDI, mesmo que aquelas notas (e outros eventos) tenham sido transmitidas (gravadas) pelo teclado para o sequenciador usando um outro canal de MIDI (“MIDI Transmit Channel”). Ou seja, é o canal indicado na coluna “Channel” que identificará as notas quando o sequenciador transmiti-las de volta para o teclado.

Fig.3


Figura 3: Na maioria dos sequenciadores, pode-se indicar o canal de MIDI a ser usado por cada trilha (coluna “Chn”). Observe que, neste caso, não existe a obrigatoriedade do número do canal de MIDI ser igual ao da trilha.


Observações importantes:
  1. O canal de MIDI no.10 é sempre usado para bateria e percussão.

  2. Se você for salvar sua sequência em formato “Standard MIDI File”, tenha em mente o seguinte: o “Standard MIDI File formato 0” mistura numa só trilha todas as trilhas da sua sequência, preservando os canais indicados para os respectivos eventos; já o “Standard MIDI File formato 1” preserva cada canal de MIDI numa trilha separada.


Artigo publicado na revista Backstage em 1997

Este artigo foi publicado no music-center.com.br em 1998



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